quarta-feira, 4 de março de 2009


São Josemaría Escrivá de Balaguer

Nascimento
9 de Janeiro de 1902 em Barbastro, Aragão, Espanha
Falecimento
26 de Junho de 1975 em Roma, Itália
Venerado pela
Igreja Católica
Beatificado
17 de maio de 1992., Vaticano por: Papa João Paulo II
Canonizado
6 de outubro de 2002, Vaticano por: Papa João Paulo II
Festa litúrgica
26 de Junho
"O trabalho não é apenas um dos mais altos valores humanos e um meio pelo qual os homens hão-de contribuir para o progresso da sociedade; é também um caminho de santificação."S. Josemaría Escrivá de Balaguer
Portal dos Santos

vila de Vilela


ELEVAÇÃO DA POVOAÇÃO DE VILELA, NO CONCELHO DE PAREDES, À CATEGORIA DE VILAI - Razões históricasDe Vilela chegam-nos notícias ainda antes da fundação da nacionalidade. Mas o seu povoamento é, sem dúvida, anterior a esses primeiros documentos escritos. Sugerem-nos esse facto topónimos como Aldarém, nome pessoal provavelmente germânico, ou Castro, que alude a uma civilização anterior ao domínio romano em Portugal.De início, seria uma terra muito pequenina. O próprio nome da freguesia comprova-o. Vilela significaria uma pequena «villa» agrária, ou, num sentido ainda mais redutor, uma pequena casa de campo.Com o aparecimento do Mosteiro de Santo Estevão de Vilela, com vastas propriedades nas terras em redor, tudo se alterou. Toda aquela região beneficiou de tão rica instituição, e assim progrediu na senda do crescimento.Essencialmente rural, Vilela é uma freguesia com um povoamento disperso. Nos últimos anos, no entanto, começa a sentir-se a sobreposição da indústria à agricultura. Do passado tradicional agrícola, marca hoje o ritmo da povoação a indústria de madeiras, do mobiliário, lacticínios e linho, bem como destilarias de aguardente vínica.Património histórico-cultural- Igreja MatrizConstruída no século XII e reconstruída em 1873 e 1990. Interiormente foi reparada em 1876 e 1878. É do antigo Mosteiro.Situa-se na encosta de um pequeno monte. Tem uma frontaria ladeada por duas torres com sinos e relógio, a igreja é de uma só nave. Tem guarda-vento, côro alto e muito espaçoso, altar-môr com um soberbo trono, retábulo de talha antiga dourada, dois altares ao lado do arco cruzeiro, também ambos com ricas decorações de talha antiga dourada e no corpo da igreja mais dois altares. Tem duas sacristias (uma que era primitiva dos frades e que pertence à fábrica, outra que é das confrarias do Santíssimo Sacramento e da Senhora do Rosário e das Almas).Nesta igreja há uma cruz / custódia de ouro.- Mosteiro de Santo EstevãoFoi fundado no século XI, pelo capitão D. Payo Guterres, que veio para Portugal com o conde D. Henrique.Foi reconstruído em meados do século XVI e novamente em finais do mesmo século por D. Gaspar dos Reis. No começo do século XII (1118) estava na posse dos Cónegos Regrantes de S. Agostinho, sendo o seu prior Afonso Pais. Pouco tempo depois, em 1128, a Rainha D. Teresa coutou o Mosteiro, pelo estatuto que já aí tinha adquirido, e concedeu-lhe ainda maiores privilégios.O convento não tem belezas arquitectónicas, sendo dignas de menção a sua ampla escadaria e a sacada da sala que, em 1886, era sala de visitas. Deste Mosteiro, destaca-se o brasão que encima o portal barroco. O brasão foi colocado pelo Dr. António Emílio Correia de Sá Brandão (digníssimo Juiz do Supremo Tribunal) no século XVI.- Capela de Nossa Senhora da SaúdeSito no Monte do Seixoso. Foi construída no século XV e teve uma reconstrução no século XIX (1873).Está edificada sobre rocha de Quartzo. Tem altar-môr com retábulo de talha dourada, arco cruzeiro, púlpito com grades de ferro, côro, sacristia.- Capela ou Ermida de Santo AntónioFoi construída por volta do ano de 1903.Está localizada dentro do cemitério paroquial. É uma capela muito pequena e singela.- Capela ou Ermida do Senhor dos PassosEstá unida à igreja desde 1878.- Capela de S. JoséFoi construída entre 1960 e 1970.- CruzeiroSolares- Solar de VarzielaTem casa brasonada e capela contígua. Era de João Leite da Gama, moço fidalgo da casa real. Depois, passou para a posse de José Jorge da Costa, morador na freguesia de Agrela do concelho de Santo Tirso.- Solar do PenedoÉ a casa mais antiga da freguesia. Era de José Narciso Carneiro Leão e irmãos.Esta casa foi riquíssima, mas dela, resta hoje uma casa velha, degradada e os vestígios de uma capela com portão em latão.II - Breve caracterização geográfica e demográficaEstando situada a norte do concelho, Vilela abrange uma área de 3,79 km2.Confronta com as freguesias de Duas Igrejas e Sobrosa e com as vilas de Lordelo e Rebordosa.Demograficamente, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, Vilela registou um aumento de 27,7% na taxa de variação. Em 1991 contabilizava 3906 habitantes e, de acordo com os Censos de 2001, este número evoluiu para 5066 pessoas. Neste momento, os eleitores recenseados são 3430.III - Actividade económicaDe passado tradicionalmente agrícola, começa hoje a sentir-se a sobreposição da indústria à agricultura, sendo a indústria de madeiras e do mobiliário as predominantes.Devido ao aumento populacional o sector terciário tem vindo a expandir-se, devendo-se realçar os estabelecimentos de pequeno comércio de papelaria, pronto-a-vestir, fotógrafo, florista, supermercados e mini-mercados, oficinas de reparação automóvel, cabeleireiros e comércio de combustíveis.Na prestação de serviços destaque para a existência de clínica médico-dentária, agência de seguros e escritório de contabilidade. Na área da saúde, a freguesia pode contar com um Núcleo da Cruz Vermelha Portuguesa, bem como com consultórios médicos particulares. O Centro de Saúde fica situado muito próximo do limite geográfico de Vilela.IV - Equipamentos e actividade social e culturalO crescimento económico e populacional desta freguesia é acompanhado por um considerável dinamismo sócio-cultural e desportivo.O movimento associativo é rico e variado, existindo diversas colectividades de natureza cultural, recreativa e desportiva.São de destacar, na área cultural , o Rancho Sr.ª da Hora de Vilela, fundado em Março de 1985, composto por mais de 40 elementos, e que ao longo da sua existência tem participado em festas e romarias um pouco por todo o País e a Associação Recreativa e Musical de Vilela, com a Banda de Música.Os grupos de jovens da freguesia de Vilela, em perfeita organização, assumem, igualmente, um papel de destaque na dinamização sócio cultural da comunidade, desenvolvendo diversas actividades participadas por toda a população.O Centro Paroquial dispõe de uma sala de espectáculos de boas dimensões e de qualidade para qualquer realização cultural.De assinalar, ainda, a existência de um Grupo de Zés Pereiras e de um Agrupamento de Escuteiros, que em muito contribuem para a animação cultural da freguesia.Ao nível da acção social e solidariedade, Vilela conta com o Centro Social e Paroquial de Santo Estevão, que é um centro de intervenção comunitária a funcionar com um acordo com o Centro Regional de Segurança Social e que presta apoio à terceira idade, através de um Centro de Dia e Apoio Domiciliário.Relativamente à educação, Vilela possui, na sua área geográfica, dois estabelecimentos de ensino pré-escolar da rede pública, abrangendo, aproximadamente, 100 crianças; três escolas do 1.º ciclo do ensino básico, abrangendo cerca de 500 alunos; e uma escola secundária, cujo número de alunos no ano lectivo 2000/2001 atingiu os 600.Atendendo a que a povoação de Vilela reúne os requisitos previstos na Lei n.º 11/82, de 2 de Junho, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, os Deputados abaixo assinados apresentam o seguinte projecto de lei:Artigo únicoA povoação de Vilela, no concelho de Paredes, é elevada à categoria de vila.

domingo, 1 de março de 2009

Mosteiro de St.º Estevão
Portugal é um país de História e de «estórias». Mas alguma da sua História fica esquecida no tempo, perdida nas memórias e nas lendas. O Mosteiro de Santo Estevão de Vilela é um monumento milenar, património nacional, que tem sido esquecido.

D. Henrique terá concedido terras a D. Paio Guterres na região onde é actualmente o concelho de Paredes. D. Paio terá sido o fundador deste mosteiro que remonta aos primórdios do condado portucalense. Não é conhecida a data exacta da sua fundação, mas terá sido por volta do ano 1000, uma vez que existe notação do mosteiro desde 1030. Era habitado por Cónegos Regrantes desde 1118 e acarinhado com diversas doações, de destaque uma da Rainha D. Teresa, que em 1128 coutou o mosteiro e lhe fez uma avultada doação. No final do século XVI uniu-se à Congregação de Santa Cruz de Coimbra, e em 1612 ao Convento da Serra do Pilar. O mosteiro terá atravessado diversas crises, mas foi ultrapassando as dificuldades até à primeira metade do século XIX, época em que a ordem religiosa aí existente foi extinta.
O monumento é uma mescla de estilos arquitectónicos, que espelham as modificações que o mosteiro foi sofrendo ao longo da História. É constituído por uma Igreja e pela casa do mosteiro. A Igreja data de 1783. É um edifício inspirado na arquitectura da Igreja de Moreira da Maia. Terá existido, no lugar desta Igreja, uma outra de estilo românico, segundo Pedro Ferraz, habitante da região. Na realidade, por trás da Igreja há uma parede esculpida que terá sido construída com as pedras dessa Igreja românica, e, num campo atrás da casa do mosteiro, há uma pedra que terá pertencido a um antigo cruzeiro.
As poucas informações obtidas acerca do mosteiro e da sua arquitectura, devem-se, em parte, a documentos escritos, uma vez que é impossível visitar o mosteiro (ainda que seja com intuito jornalístico). A casa do mosteiro pertence a privados, a brasileiros que a utilizam como casa de férias e que não autorizam que ninguém entre na sua propriedade. Enquanto que a Igreja, que é Igreja matriz de Vilela, se encontra restaurada e em bom estado, a casa do mosteiro, muito mais antiga e com maior valor histórico, encontra-se em elevado estado de degradação. Se nada for feito urgentemente por este mosteiro uma parte significativa do nosso património histórico irá perder-se. Os restauros da Igreja e das esculturas que dela fazem parte têm sido custeados, em grande parte, senão na totalidade, pela população da freguesia. Os vilelenses tentaram inclusive comprar a casa do mosteiro, mas o negócio não foi avante.
Entretanto o mosteiro vai tentando resistir à erosão do tempo e à inércia dos homens.
Igreja de Santo Estevão
A Igreja que faz parte do Mosteiro de Santo Estevão de Vilela, mas não é a igreja original do mosteiro. Foi construída em 1783 e é um misto de características arquitectónicas setecentistas e de estilo Nazoni.

Sobre o janelão tem um nicho com uma imagem de Santo Agostinho, e granito. Esta Igreja é bastante simples, tem uma só nave e uma capela-mor de menores dimensões. A cobertura é em abóbada de berço semi-circular, dividida em caixotões quadrados. No cimo da capela-mor, existe um retábulo de talha neoclássica, a lembrar o rococó, e em outros retábulos e nas talhas em redor do sacrário há alguns vestígios de talha deste estilo. Existem vestígios de adaptações de talhas anteriores, nomeadamente em três frontais provavelmente do século XVIII. Os altares de Nossa Senhora do Rosário e do Senhor Crucificado tê vestígios de talha neoclássica.
As esculturas da Igreja são também testemunho da sua milenar existência. A obra mais antiga é provavelmente a escultura, em calcário, de Nossa Senhora da Hora, que será de meados do século XV. Num dos retábulos laterais encontra-se a Nossa Senhora do Rosário, um escultura demérito, inclusive pela bela coroa que possui e pela talha dourada da penha que a sustenta. O outro retábulo colateral ostenta uma escultura de Cristo Ressuscitado e junto a este à a representação da Senhora de ao Pé da Cruz. Do século XVIII, a obra mais recente da Igreja, é a escultura de Santo Estêvão, que se encontra de um dos lados do altar-mor. Duas significativas obras de escultura, nesta Igreja, são duas imagens, uma de Santo Agostinho e outra de Santo Estevão. São impressionantes pela sua modernidade, no realismo das proporções corpóreas e do desenho do vestuário.
Esta é uma Igreja que possui simultaneamente um estilo simples e sóbrio na sua arquitectura, e um carácter complexo e floreado nas esculturas e talhas que a adornam.
Caminhar com São Paulo
A Comunidade na (uni)diversidade
(1Cor 12-13; 1Cor 12,12-30)

Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança e que domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra. “Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus os criou, homem e mulher os criou - Gn 1,26-27. Pois “Deus disse: não é bom que o homem esteja só. Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda.” Gn 2,18. “Então o homem exclamou: Esta sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada de mulher porque foi tirada do homem!” Gn 2,23.
Homem e mulher foram criados por Deus, e criados com igual dignidade, iguais em direitos, ambos colaboradores de Deus na obra da Criação, cada qual com missão própria na missão lhes é confiada por Deus no “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a;” Gn 1,28.
Iguais e diferentes – iguais em dignidade de filhos de Deus, diferentes, complementares na sua missão, na sua presença no mundo.
Como diferentes serão entre si os homens, e entre si as mulheres, sem perderem dignidade, embora com diferentes talentos, diferentes carismas, que Deus lhes concedeu e que terão de pôr a render, e não os enterrar, com medo de os perder.
Cada homem, cada mulher é chamado a trabalhar na seara com todas as suas energias, para a fazer crescer, desenvolvendo uma missão, uma tarefa especifica, pessoal, sem deixar de ser comunitária, que é a sua para o crescimento do Reino de Deus.
“Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo, diversos modos de acção, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para utilidade de todos. A um o Espírito dá a mensagem de sabedoria, a outro, a palavra de ciência segundo o mesmo Espírito; a outro o mesmo Espírito dá a fé; a outro ainda o único e mesmo Espírito concede o dom das curas; a outro, o poder dos espíritos, a outro, o dom de falar em línguas, a outro ainda, o dom de as interpretar. Mas é o único e mesmo Espírito que isso tudo realiza, distribuído a cada um os seus dons, conforme lhe apraz.” 1 Cor 12, 4-11
Numa comunidade, em particular numa comunidade paroquial são visíveis irmãos com carismas diferentes, que se por um lado enriquecem a comunidade, por outro lado a tornam campo de acção dos diferentes carismas para o crescimento do Reino de Deus.
A uns o Espírito concedeu dons que os tornam mais disponíveis para serem iniciadores das verdades da Fé aos vários grupos etários, ou mesmo no apoio que prestam ao crescimento na Fé a quem já fez uma caminhada mais ou menos longa que integram grupos do sector profético – catequistas, casais que se preocupam com os pais e padrinhos das crianças que vão ser baptizadas, ou com os noivos.
A outros o Espírito concedeu maiores dons para o serviço – acólitos, leitores, cantores, directores das assembleias eucarísticas ou orientadores de tempos de oração, que os levam a integrar grupos do sector litúrgico. Não esquecendo aquelas que pela sua habilidade e bom gosto tornam os espaços celebrativos, espaços agradáveis e belos com os arranjos com que enfeitam os altares.
“Agora, portanto, permanecem fé esperança, caridade, estas três coisas. A maior delas é a caridade.” 1 Cor 13,13
S. Paulo considera a caridade a maior das três virtudes. O cristão vive em caridade e para a caridade, como pessoa e integrado na comunidade, e como tal a comunidade tem de viver a caridade, e uma das formas de a comunidade viver a caridade é dedicando-se aqueles que por algum motivo se encontram em dificuldades, materiais ou espirituais. A comunidade integra pessoas generosas que dedicam muito do seu tempo no apoio que prestam aos carenciados, aos doentes – estão em grupos que integram o sector comunitário. Este sector não se esgota nestes grupos pois as necessidades da comunidade também passam pela concretização de espaços onde as pessoas se encontrem informalmente num clima de sã alegria e convívio (almoços, jantares, passeios, visitas) A generosidade também se pode expressar pelo tempo gasto em actividades através das quais seja possível a obtenção de meios financeiros necessários para a concretização de projectos em que a paróquia se envolva.
Uma comunidade, em particular uma comunidade paroquial não é apenas e só, um conjunto de pessoas. Para ser considerada uma comunidade o conjunto de pessoas deve possuir um conjunto de atributos, entre os quais haver laços, objectivos comuns, relações de solidariedade, de dependência, de complementaridade tão sólidos que tenham como imagem as ligações físicas entre objectos, ou melhor as ligações entre os vários órgãos do corpo humano. E uma comunidade cristã estas relações estabelecidas na horizontal devem orientar-se para a vertical isto é numa ligação permanente com Jesus Cristo. Esta imagem leva S. Paulo a escrever: “Pois como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros do corpo, sendo muitos, são um só corpo, assim também Cristo. De facto, num só Espírito, fomos todos baptizados para um só corpo, quer judeus quer gregos, quer escravos quer livres, e todos bebemos de um só Espírito. Pois também o corpo não é um só membro, mas são muitos. Se o pé dissesse: “Uma vez que não sou mão, não faço parte do corpo”, não deixaria por isso de pertencer ao corpo. E se o ouvido dissesse: “Uma vez que não sou olho, não faço parte do corpo. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo ele ouvido, onde estaria o olfacto?” 1 Cor 12, 12-17
Nesta passagem S. Paulo realça a interdependência, complementariedade e solidariedade entre os vários elementos do corpo (comunidade)
Os vários elementos não têm vida própria se desintegrados do corpo
A celebração da fé é realizada em comunidade, sem esquecer a oração pessoal, feita no silêncio do quarto”. Na celebração comunitária da Fé muitas são as funções que serão desenvolvidas por elementos da comunidade cada um com os seus carismas desde o presidente a quem de forma humilde faz a recolha das ofertas.
Na atenção que dermos aos mais necessitados e sem esquecer “que a tua mão esquerda não saiba o que faz a mão direita” não poderá deixar de haver quem tenha o carisma da dedicação humilde e amorosa aos mais necessitados da comunidade, porque estes também fazem parte da comunidade não marginais nem podem ser marginalizados.
Se a divulgação da Boa Nova é uma obrigação de todo o cristão “Ai de mim se não prego o Evangelho” através da palavra que terá de ter como espelho a própria vida, cabe à comunidade, no seu todo, criar condições para que essa palavra possa ser proclamada às crianças, jovens e a adultos. Muitos jovens e adultos dedicam, com generosidade, muito do seu tempo, e com dedicação à tarefa de instruir na fé os vários grupos etários.
A comunidade através de alguns dos seus elementos entrega-se com gosto, com amor com dedicação ao serviço dos irmãos através dos dons que Deus concede a cada um.
Há talentos que são postos a render não só na formação espiritual daqueles a quem se destinam essas acções, mas também ao crescimento humano de crianças e jovens (escutas) e no apoio a “amigos especiais” e aos seus familiares.
A amizade entre os elementos de um grupo - humano só se desenvolve através de contactos pessoais, quer informais, não organizados, mas também através de encontros programados com tal objectivo - ceia de Natal, passagem de ano, festa de Carnaval, dia da Paróquia, magusto, a própria peregrinação também terá este objectivo, embora secundário, não esquecendo os jantares e almoços promovidos para obtenção de meios financeiros extraordinários, só possíveis através do trabalho dedicado de muitos a quem Deus concedeu dons que lhes concedem fazer um bom trabalho.
As visitas culturais permitem um espaço de conhecimento inter-pessoal e ainda o contacto com bens culturais, quer religiosos (cristãos ou não) ou profanos.
Numa comunidade paroquial convivem cristãos de muitos estratos sociais, de vários níveis culturais, de várias origens étnicas e todos devem ser acolhidos e também acolhedores, e onde não pode haver acepção de pessoas.
Numa comunidade por muitos elementos activos que participem corresponsavelmente na vida da paróquia serão sempre poucos: “A seara é grande e os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande mais trabalhadores para a seara”
Quaresma: voltarmo-nos para Deus
«Caminhando no deserto», tríptico do irmão Sylvain, de Taizé
A Quaresma orienta o nosso pensamento, em primeiro lugar, para a imagem do deserto, aquele onde Jesus viveu quarenta dias de solidão ou aquele que o povo de Deus atravessou, caminhando durante quarenta anos. E, no entanto, quando chegavam estas semanas que precedem a Páscoa, o irmão Roger gostava de lembrar que esse não era um tempo de austeridade ou de tristeza, nem um período para alimentar a culpabilidade, mas sim um momento para cantar a alegria do perdão. Ele via a Quaresma como quarenta dias para nos prepararmos para redescobrir pequenas primaveras nas nossas vidas.
No início do Evangelho de São Mateus, quando João Baptista proclama «arrependei-vos!», ele quer dizer «voltai-vos para Deus!» Sim, durante a Quaresma, gostaríamos de voltar-nos para Deus para acolher o seu perdão. Cristo venceu o mal, e o seu perdão constante permite-nos renovar uma vida interior. É a uma conversão que somos chamados: não a voltarmo-nos para nós próprios numa introspecção ou num perfeccionismo individual, mas a procurar uma comunhão com Deus e também uma comunhão com os outros.
Voltarmo-nos para Deus! É verdade que, no mundo ocidental, tornou-se difícil, para algumas pessoas, acreditar em Deus. Elas vêem a existência de Deus como um limite à sua liberdade. Pensam que devem lutar sozinhas para construir a sua vida. Parece-lhes inconcebível que Deus os acompanhe.
No ano passado, fui visitar os nossos irmãos que vivem na Coreia há trinta anos. Durante o caminho, acompanhado por outro irmão, estive em encontros de jovens em vários países asiáticos. O que me marcou na Ásia foi o facto de a oração parecer natural. Nas diferentes religiões, as pessoas têm espontaneamente na oração uma atitude de respeito, ou mesmo de adoração.
Certamente, nestas sociedades não há menos tensões ou violências do que no Ocidente. Mas um sentido de interioridade é talvez mais acessível, um respeito perante o milagre da vida, pela criação, uma atenção ao mistério, a algo que vai para além do que podemos ver.
Como renovar uma vida interior descobrindo e voltando sempre de novo a descobrir uma relação pessoal com Deus? Há em todos nós uma sede de infinito. Deus criou-nos com este desejo de um absoluto. Deixemos viver em nós esta aspiração!
Entre os cânticos de Taizé, um deles expressa esta espera. A letra é de um poeta espanhol, Luis Rosales, inspirado por São João da Cruz: «De noite iremos e, para encontrar a fonte, só a sede nos ilumina.» Para algumas pessoas, o tempo da Quaresma é tempo de jejum. Não que a ascese tenha um valor por si própria, mas há em cada pessoa uma espera mais profunda do que as esperas superficiais, uma sede mais essencial. E essa sede pode iluminar o nosso caminho.
Se, por vezes, caminhamos de noite ou se atravessamos como que um deserto, não é para seguirmos um ideal. Seguimos uma pessoa: Cristo. Não estamos sozinhos, ele vai à nossa frente. Segui-lo implica um combate interior, com decisões a tomar, com fidelidades de toda uma vida. Neste combate, não nos apoiamos sobre as nossas próprias forças, mas abandonamo-nos à sua presença. O caminho não está traçado de antemão, implica também acolher surpresas, criar com o inesperado.
Deus não se cansa de retomar o caminho connosco. Podemos acreditar que uma comunhão com ele é possível e assim nunca nos cansamos de, também nós, retomar sempre de novo o combate. Não perseveramos para nos apresentarmos diante de Deus com o nosso melhor aspecto. Não, aceitamos avançar como pobres do Evangelho, que se confiam à misericórdia de Deus.
A Quaresma é um tempo que nos convida à partilha. Leva-nos a pressentir que não nos sentiremos realizados se não consentirmos a renúncias. Renúncias feitas por amor. Quando, noutra ocasião, Jesus se encontrava no deserto, cheio de compaixão por aqueles que o tinham seguido, multiplica cinco pães e dois peixes para alimentar cada pessoa. Que sinais de partilha podemos nós realizar?
O Evangelho valoriza a simplicidade de vida. Chama-nos a dominar os nossos próprios desejos para nos conseguirmos limitar, não por constrangimento mas por escolha. Este apelo é hoje muito actual, não somente em termos pessoais, mas na vida das nossas sociedades. A simplicidade escolhida livremente permite que os mais favorecidos resistam à corrida ao supérfluo e contribui à luta contra a pobreza imposta aos mais deserdados.
Durante este tempo da Quaresma, ousemos rever o nosso estilo de vida. Não para dar má consciência àqueles que não o fazem, mas com o propósito de sermos solidários com os mais desamparados. O Evangelho incentiva-nos a partilhar livremente, dispondo das coisas com beleza simples da criação.
O jornal francês «La Croix» pediu ao irmão Alois para escrever, ao longo do ano 2008-2009, uma meditação para cada grande celebração cristã.

PE. Paulo Pinto

Pároco de Vilela